Houve um tempo em que a gente não se falava. Mesmo trabalhando juntos, era como se fossemos estranhos no ninho. Pode ser aquela velha briga de que dois gays não dividem o mesmo espaço, um ciúmes tolo de alguém que se sente ameaçado. Há 4 anos minha vida no trabalho era um livro fechado, mas os meses foram se passando , as mudanças foram se consolidando e o que era estranhamento virou respeito profissional. Começamos a nos falar, pois por ironia do destino, assim que ele virou gestor e , com a necessidade de ir além do escopo de suas atividades, passou a depender de algumas tarefas minhas. Hoje, depois de todo esse tempo, ele descobriu em mim uma amizade marcante. Convida-me para almoçar, tomar um café à tarde, ir a academia juntos. Discutimos sobre literatura, arte, cinema , viagens, ou seja, um universo bem diferente do que estamos acostumados no ambiente corporativo e até , de certo modo, distante dos seus relacionamentos pessoais. Falamos também , claro, de homens, de aventuras e de tudo que cerca o ambiente gay. De certa maneira, ele foi o responsável por eu me tornar uma pessoa menos sisuda , mais tranquila em relação ao que os outros fossem pensar a respeito da minha orientação sexual. Essa lacuna e essa aproximação está sendo literalmente perigosa. Para mim, pois realmente estou reconsiderando meus pensamentos e achando ele uma pessoa extremamente interessante , e para ele , pois vive um relacionamento de 8 anos. A história pode não ter um fim tão imediato, mas de qualquer forma, não estou forçando nada e nem quero que passe do atual estágio. E se em algum momento eu voltar a sofrer por alguém, que não seja por ele...Por favor !!!!
"Passamos a vida inteira entre um e outro. Ora desejando , buscando e construindo aquilo que queremos ; ora aceitando, digerindo e superando o que encontramos em nosso caminho.É um grande exercício saber o que a vida nos dá e ao mesmo tempo correr atrás do que queremos. Mas , um ou outro é o caminho certo para a frustração "
Saturday, August 22, 2009
Sunday, August 09, 2009
Sleeping with the past
Uma das minhas melhores qualidades é ser um bom ouvinte. Experimente bater um papo comigo. Talvez isso tenha atraído a amizade de muita gente. Não acho ruim. Adoro escutar as histórias que os outros têm para me contar. São as minhas novelas. Eu tiro muitas concluões sobre minha vida através dessas experiências de outros.E também gosto de dar palpites, afinal, se alguém se sente confortável em contar suas verdades , o mesmo se pode dizer que há confiança para ouvir opiniões sobre elas. Mas , chega uma hora que ser ouvido também faz parte da amizade. É ali que esse sentimento se torna pleno, pois há uma troca de visões, de conceitos e até de principios. Porém, quando um lado só se acha no direito de desabafar e não se importar com a vida do interlocutor, é melhor dar um basta nessa relação. Reciprocidade é o mínimo. Pior ainda quando o locutor diz que não vai mais discutir certos assuntos com você, pois as opiniões que você tem são simplesmente para menosprezá-lo. Enfim, se falta confiança, não existe mais essa relação . Depois de escutar mais essas barbaridades e de perceber que só eu ouvia nessa relação, eu resolvi terminar uma amizade de quase 10 anos...
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Não adianta horas no banho, uma roupa nova, um perfume marcante, cabelo , limpeza de pele, auto estima e até um nariz novo, se uns minutos de atraso acabam com todo o ritual de reecontrá-lo depois de tantos anos. O tempo é senhor do espaço e a próxima oportunidade acho que só na próxima vida....
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